Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
São Tarcísio e o ministério dos coroinhas
Jornal Democrata, edição 1935 de 15 de agosto de 2026 Celebramos no dia 15 de agosto a memória litúrgica de São Tarcísio, patrono dos coroinhas, acólitos e servidores do altar. Nesse ano, o dia 15 de agosto é num sábado, momento oportuno para os coroinhas e servidores do altar se encontrarem, celebrarem o padroeiro e se confraternizarem. Neste dia também comemoramos aqui no Rio de Janeiro, o aniversário da Dedicação do templo de nossa Catedral Metropolitana.
Do mesmo modo que temos São Luiz Gonzaga padroeiro da juventude e dos seminaristas, São Lourenço patrono dos diáconos e São João Maria Vianney patrono dos sacerdotes, São Tarcísio é patrono dos coroinhas, acólitos e servidores do altar. Ou seja, para cada etapa da vida, cada etapa da vida sacramental e ministerial na Igreja tem um santo padroeiro, desde coroinha até a caminhada até o sacerdócio.
É muito importante ver em nossas paróquias as crianças e jovens servindo ao Senhor como coroinhas, acólitos e cerimoniários. É desde pequeno que desperta o amor por Jesus Cristo, pela Virgem Maria e pela Eucaristia. É através desse ministério de coroinhas, acólitos e cerimoniários que surgem as vocações ao sacerdócio e a vida religiosa. É claro, que não necessariamente se for coroinha vai seguir a vida religiosa e sacerdotal, através desse ministério poderá ser também um excelente pai de família e assumir depois outros serviços pastorais na Igreja.
O mês de agosto como bem sabemos é um mês especial para a Igreja, além de ser o mês vocacional, celebramos o padroeiro dos padres no dia 4, padroeiro dos diáconos no dia 10 e o padroeiro dos coroinhas dia 15. Além da festa de Nossa Senhora da Assunção, Santa Dulce dos Pobres e outros santos importantes. Portanto, nesse mês vocacional peçamos mais operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são poucos.
Nesta terceira semana de agosto que iremos iniciar nesse domingo dia 16, recordamos a vocação a vida consagrada e religiosa, quem sabe muitos coroinhas, acólitos e cerimoniários possar querer abraçar a vida religiosa e consagrada. Do mesmo modo que a vida religiosa o serviço de coroinha, acólito e cerimoniário deve ser feito com seriedade e respeito e deve ser um sim diário, vivendo de acordo com aquilo que escolheu.
Do mesmo modo que qualquer outra vocação antes de ser coroinha e servidor do altar, é preciso primeiro ouvir o chamado de Deus, depois através da oração responder com o Sim, procurar o pároco da paróquia e dizer sobre a vontade de ser coroinha, participar dos encontros de preparação e servir ao Senhor mais de perto.
Muitos grupos de coroinhas e acólitos nas diversas paróquias tem o nome e a proteção de São Tarcísio, que ele possa ser a fonte de inspiração para todos os coroinhas e acólitos e que carreguem em seu coração o mesmo desejo de amor a Deus e a Eucaristia, a exemplo de São Tarcísio. Por isso, celebremos com alegria o dia de São Tarcísio e agradeçamos a proteção dele por todos os coroinhas e cerimoniários.
Em algumas paróquias inclusive os novos coroinhas, cerimoniários e acólitos são investidos no dia dele, ou próximo da data. Os coroinhas, cerimoniários e acólitos devem guardar a fé e ter amor pela Igreja do mesmo modo que São Tarcísio. Devem cuidar para seguir retamente no caminho de Deus, cuidar de suas vestimentas e ter um comportamento adequado na igreja e fora dela.
São Tarcísio foi um mártir da Igreja dos primeiros séculos da era cristã, ele morreu defendendo a fé em Cristo e na Igreja, do mesmo modo que muitos mártires dos primeiros séculos da era cristã, e Tarcísio ainda era coroinha o que revoltava algumas pessoas. Ele foi vítima de perseguição do império romano mediada pelo imperador Valeriano.
Não tem uma idade certa para começar ser coroinha, mas recomenda-se que seja a partir dos seis anos de idade, ou quando iniciar na catequese, ou ainda, quando a criança tiver uma certa maturidade para se comportar bem distante dos pais, no presbitério. Do mesmo modo que não tem idade para começar a ser coroinha, também não tem idade para deixar de ser. Normalmente existem algumas etapas, ou seja, inicia-se como coroinha, depois de uns três anos torna-se cerimoniário e, por fim, acólito.
Agradeço o excelente trabalho dos coroinhas, acólitos e cerimoniários em nossa Arquidiocese. O trabalho de vocês dignifica e louva a Deus nos sacramentos e sacramentais que vocês servem com denodo e grande dedicação. Deus os cumule de muitas bênçãos e copiosas graças!
Celebremos com alegria a memória litúrgica de São Tarcísio e rezemos por todos os coroinhas e servidores do altar. Que as crianças e jovens tenham no coração o mesmo amor e respeito que São Tarcísio tinha pelas coisas de Deus. Que a Virgem da Assunção ilumine todos os servidores do altar que amanhã celebraremos seu dia e respondam com o sim o chamado de Deus.
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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