Pamela Zanardo

Malefícios do consumo exacerbado de alimentos ultraprocessados

Jornal Democrata, edição 1933 de 2 de agosto de 2026
Malefícios do consumo exacerbado de alimentos ultraprocessados

Nos tempos atuais, a vida está corrida, repleta de atividades e, consequentemente, reservar um período do dia para preparar as refeições acaba ficando para trás, e o consumo de alimentos ultraprocessados tem crescido, impactando negativamente a saúde em médio e longo prazo.

E o que são alimentos ultraprocessados? São alimentos produzidos nas indústrias com ingredientes artificiais, aditivos químicos e corantes, com baixo valor nutricional e ricos em calorias.

Os exemplos mais comuns são bolachas, salgadinhos, refrigerantes, sucos de caixinha, fast-food, macarrão instantâneo, pão de forma, embutidos, como presunto, mortadela e salsicha, lasanha congelada e barrinhas de cereais.

Por serem produtos industrializados, ou seja, por passarem por várias etapas de processamento, tanto físico quanto químico, ocorre a perda de fibras, minerais e vitaminas. Além disso, durante esse processamento, são acrescentadas substâncias que prolongam o tempo de permanência nas prateleiras, aumentando o prazo de validade.


O consumo constante e em grandes quantidades compromete a saúde, proporcionando prejuízos inflamatórios, cognitivos, comportamentais e favorecendo o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.

  • São alimentos de digestão rápida e não promovem saciedade, causando ganho de peso e compulsão alimentar.
  • O excesso de açúcares e gorduras pode gerar distúrbios no organismo, propiciando o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão, obesidade, câncer e problemas respiratórios e cardiovasculares.
  • Impactam negativamente a saúde cognitiva e mental, uma vez que apresentam baixo teor de vitaminas, minerais e fibras e são ricos em aditivos e conservantes, aumentando a probabilidade de depressão, ansiedade, declínio cognitivo, compulsão alimentar e dificuldades na aprendizagem.
  • A maior parte dos alimentos industrializados é rica em gorduras saturadas, colesterol e sódio, fatores associados às doenças cardiovasculares, dislipidemias, hipertensão arterial e aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias.
  • Provocam modificações na microbiota intestinal, pois o excesso de açúcares e aditivos químicos, aliado à escassez de fibras, propicia a diminuição de bactérias benéficas do intestino e o aumento do processo inflamatório.

Os alimentos industrializados fazem parte da vida moderna, mas devem ser consumidos com cautela e consciência. A mudança de hábitos e de estilo de vida é o ponto inicial para reduzir a ingestão desses alimentos.

Planejar os dias para o preparo das refeições, dando preferência aos alimentos integrais, in natura, frescos, verduras, legumes, frutas, carnes magras, frango, peixes e ovos, além de beber água durante o dia e ler o rótulo dos alimentos antes da compra, são atitudes importantes. A alimentação não precisa, nem deve, ser radical ou restritiva, mas é fundamental ter consciência do que está sendo consumido para evitar problemas de saúde.

Pamela Bueno Zanardo é nutricionista (CRN3-35316) pela Universidade Nove de Julho/SP. Tem formação executiva em controle de qualidade dos alimentos e produção pela Universidade Nove de Julho, sendo especialista em nutrição clínica: metabolismo, prática e terapia nutricional pela Universidade Gama Filho/RJ. É nutricionista clínica no Hospital Santa Helena, Santo André-SP. E-mail: pamelazanardo@hotmail.com



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