Jonatas Outeiro

uma fé inútil


uma fé inútil Jornal Democrata, edição 1918 de 11 de abril de 2026

Quando Paulo declara em 1 Coríntios 15.19 que, se nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens, ele denuncia o vazio de uma fé que não enxerga além do presente. 

Uma esperança restrita ao agora se torna frágil, porque depende de circunstâncias que mudam e se desfazem. 

As Escrituras mostram repetidamente que a verdadeira esperança sempre aponta para além do visível: “Porque vivemos por fé e não pelo que vemos” (2 Coríntios 5.7). Da mesma forma, o autor de Hebreus afirma que a fé é a certeza do que se espera (Hebreus 11.1), indicando que o cristão não se apoia apenas no que pode experimentar nesta vida, mas na promessa da ressurreição e da eternidade com Deus.

Essa limitação da esperança produz também uma vida limitada. Se Cristo não ressuscitou, como Paulo argumenta em 1 Coríntios 15.14, então toda a pregação e toda a prática cristã seriam inúteis. 

Sem a perspectiva da vida eterna, o sofrimento pareceria absurdo, o sacrifício seria vão e a obediência se tornaria pesada demais. 

Jesus mesmo ensinou que quem deseja segui-lo deve tomar sua cruz (Mateus 16.24), algo que só faz sentido à luz da ressurreição. Além disso, Paulo afirma que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que há de ser revelada” (Romanos 8.18), mostrando que a vida cristã só encontra seu verdadeiro significado quando vivida com os olhos fixos na eternidade.

Sem a ressurreição, porém, não apenas a vida presente seria limitada, mas o futuro seria marcado por uma infelicidade eterna. 

A ausência da vitória de Cristo sobre a morte significaria permanecer sob o domínio do pecado, pois “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23), e sem Cristo não haveria escape dessa condenação. 

Jesus advertiu que existe uma separação eterna para aqueles que rejeitam a vida que Ele oferece (Mateus 25.46), e Paulo reforça que, sem a ressurreição, estaríamos destinados a essa realidade. A verdadeira tragédia humana não seria apenas sofrer nesta vida, mas perder para sempre a comunhão com Deus. 

Por isso, Paulo insiste que a ressurreição é o fundamento da fé cristã, o eixo que sustenta toda a esperança do evangelho.

No fim, a verdade se impõe com clareza: a nossa fé somente está firmada na glória eterna do Cristo vivo, presente e atuante no mundo presente. É essa certeza que amplia nossa esperança, dá sentido à nossa vida e nos livra da infelicidade eterna.

Rev. Jônatas OuteiroRev. Jônatas Outeiro, pastor da Igreja Presbiteriana de Mococa



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