Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

5º Domingo da Quaresma

“Lázaro, vem para fora” (Jo 11,43)


5º Domingo da Quaresma Edição 1915 do jornal Democrata, de 21 de março de 2026

Celebramos neste domingo o quinto deste tempo quaresmal. Estamos nos aproximando do final deste tempo de graças para a Igreja. Na próxima semana iniciaremos a Semana Santa, a semana maior para os cristãos, com a celebração do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor. Ao longo deste tempo quaresmal fomos convidados a nos unir em oração, a pedir a luz do Espírito Santo e a vencer as tentações, do mesmo modo que Jesus as venceu. Além disso, fomos convidados a praticar o jejum e a caridade. Essas práticas espirituais nos ajudam a ficar mais próximos do Senhor e a viver bem este tempo quaresmal.

Preparemo-nos, ao longo desta semana, intensificando os nossos momentos de oração, rezando mais o terço, a via sacra, as reuniões dos círculos bíblicos, meditando a Palavra de Deus e participando da Santa Missa. Preparemo-nos também para o sacramento da confissão, a fim de celebrarmos de maneira pura a Páscoa do Senhor. Participemos da celebração penitencial e façamos um sincero exame de consciência.

Novamente nos reunimos em comunidade no Dia do Senhor, dia em que recordamos a Páscoa semanal de Jesus, para ouvirmos a Palavra e partilharmos a Eucaristia, tendo no coração a certeza de que, assim como Cristo ressuscitou, nós também ressuscitaremos. A nossa meta final é a vida eterna. Rezemos com confiança ao Senhor, peçamos o perdão de nossos pecados e sejamos merecedores da vida eterna.

No Evangelho de hoje, Jesus ressuscita Lázaro, amigo próximo e irmão de Marta e Maria. Jesus devolve a vida a Lázaro e antecipa aquilo que todos nós viveremos ao final de nossa vida. O nosso corpo é matéria e, após a morte, ele irá perecer; mas o nosso espírito é eterno e ressuscitaremos para a vida eterna, com um corpo glorioso, vivificado pelo Espírito Santo. Como diz São Paulo na segunda leitura de hoje, cuidemos de nosso corpo, templo do Espírito Santo. Temos que viver a nossa vida segundo o Espírito e não segundo a carne.

Quando fomos batizados, recebemos o Espírito Santo e, ao longo da vida, somos convidados a viver a santidade para que possamos ser merecedores da vida eterna. Professamos no Credo: “Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na ressurreição da carne e na vida eterna”.

Esta é a nossa fé. Do mesmo modo que Cristo ressuscitou, nós também ressuscitaremos. A Páscoa significa ressurreição, passagem da morte para a vida. Quando morrermos, não será o fim, mas o início da vida eterna.

Que possamos “morrer” para o pecado e ressurgir para uma vida nova em Deus. Que o Senhor nos liberte das amarras do pecado e possamos ser livres para amar e servir aos irmãos.

A primeira leitura da missa deste domingo é do livro da profecia de Ezequiel (Ez 37,12-14). Esse trecho anuncia que o Senhor dará vida nova ao seu povo: abrirá os túmulos, fará sair o povo de seus sepulcros e colocará neles o seu Espírito. Assim reconhecerão que Ele é o Senhor. Essa vida nova pode ser também compreendida como a libertação das amarras do pecado, a saída das trevas para a luz. A Páscoa nos oferece justamente essa vida nova: deixamos os sepulcros escuros do pecado para viver na luz de Deus.

O salmo responsorial é o 129(130), que traz no refrão: “No Senhor se encontra toda a graça e copiosa redenção”. O Senhor não nos trata segundo as nossas faltas; ao contrário, está sempre disposto a perdoar os nossos pecados. Deus é misericórdia e perdão. Ele não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva. Eis o tempo favorável, eis o dia da salvação.

A segunda leitura é da carta de São Paulo aos Romanos (Rm 8,8-11). São Paulo alerta a comunidade de que devemos viver segundo o Espírito e não segundo a carne. A carne nos conduz ao pecado e a atitudes que desagradam a Deus; mas, se orientarmos a nossa vida pelo Espírito, caminharemos para a vida plena. Devemos cuidar do nosso corpo, pois ele é templo de Deus e morada do Espírito Santo.

O Evangelho deste domingo é de João (Jo 11,1-45 – forma longa) e narra a ressurreição de Lázaro. Lázaro era amigo de Jesus e irmão de Marta e Maria. O povoado de Betânia era como que um refúgio para Jesus, um lugar onde Ele costumava ir para descansar e conviver com seus amigos. Assim como nós também temos amigos com quem gostamos de estar, Jesus tinha grande amizade com Marta, Maria e Lázaro.

Maria era aquela que havia ungido os pés de Jesus com perfume e os enxugado com os cabelos. Marta, por sua vez, era aquela que se preocupava com os afazeres da casa e se mostrava muito ativa. Lázaro estava doente, e suas irmãs mandaram avisar Jesus para que viesse curá-lo.

Jesus, porém, permaneceu ainda dois dias no lugar onde estava. Quando finalmente chegou a Betânia, Lázaro já havia morrido. Muitos judeus estavam ali para consolar Marta e Maria.

Quando Marta soube que Jesus havia chegado, foi ao seu encontro, enquanto Maria permaneceu em casa. Marta disse a Jesus que, se Ele tivesse estado ali antes, seu irmão não teria morrido. Mesmo assim, demonstra confiança e afirma que tudo o que Jesus pedir a Deus lhe será concedido. Então Jesus declara: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá”. E pergunta: “Crês isto?” Marta responde com firmeza que Ele é o Messias, o Filho de Deus que devia vir ao mundo. Depois disso, ela vai chamar sua irmã Maria.

Ao nos aproximarmos da celebração da Páscoa do Senhor — que significa a passagem da morte para a vida — a nossa fé nos recorda que estamos neste mundo de passagem e que, após a morte, somos chamados à vida eterna junto de Deus. O Evangelho deste quinto domingo da Quaresma nos traz a certeza da ressurreição e do cumprimento das promessas de Jesus. É uma bela catequese batismal dentro do tempo da Quaresma que prepara o batismo ou a renovação das promessas batismais. 

Jesus pede que o levem até o túmulo de Lázaro. Ao chegar ali, profundamente comovido, Jesus chora. Os judeus que estavam presentes comentam: “Vede como ele o amava”. Outros, porém, questionam: “Este que abriu os olhos aos cegos não poderia ter impedido que Lázaro morresse?” Jesus, novamente comovido, aproxima-se do túmulo, que era uma gruta fechada com uma pedra.

Então Jesus ordena: “Tirai a pedra”. Marta intervém, dizendo: “Senhor, já cheira mal, pois está morto há quatro dias”. Jesus responde: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?”

Retiram então a pedra. Jesus eleva ao Pai uma oração e, em seguida, clama em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” O morto sai, ainda envolvido nas faixas e com o rosto coberto por um pano. Então Jesus diz: “Desatai-o e deixai-o caminhar”. Diante desse sinal, muitos dos que estavam ali passaram a crer em Jesus.

Nesta cena do Evangelho contemplamos que Deus é o Deus da vida e não da morte. A morte é uma realidade inevitável para todo ser humano, mas a Palavra de Deus nos mostra que a última palavra não pertence à morte, e sim à vida. Em Cristo, a vida vence.

Tenhamos fé em nosso coração e confiemos no Deus da vida. Que a Virgem Maria nos ajude a viver com esperança e serenidade, também diante do mistério da morte.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ



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