Delegado Wanderley Fernandes Martins Júnior chega à classe especial da Polícia Civil de São Paulo após mais de duas décadas de atuação na região
Com trajetória marcada por investigações de grande repercussão, combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado, delegado que atuou em Mococa, Casa Branca e São José do Rio Pardo afirma que continuará nas ruas, ao lado de sua equipe
Delegado Wanderley Fernandes Martins Júnior / Redes Sociais O delegado de Polícia Civil Wanderley Fernandes Martins Júnior chegou ao topo da carreira. Depois de 22 anos de atuação na Polícia Civil do Estado de São Paulo, o policial foi promovido à classe especial, o mais alto nível da carreira de delegado no Estado.
A conquista, anunciada pelo próprio delegado em 30 de setembro, representa o coroamento de uma trajetória construída ao longo de mais de duas décadas e profundamente ligada à região.
De Caraguatatuba a Mococa, de Casa Branca a São José do Rio Pardo, Wanderley acumulou funções, comandou investigações de grande repercussão e participou de operações que resultaram na prisão de criminosos, apreensão de drogas e esclarecimento de dezenas de crimes.
Mas a promoção não parece ter mudado sua maneira de enxergar a profissão. Ao comunicar a conquista, Wanderley fez questão de deixar claro que chegar ao topo da carreira não significa afastar-se da atividade policial.
“Eu sou um delegado operacional”, afirmou.
A declaração sintetiza uma carreira na qual o delegado sempre esteve próximo das equipes e das investigações. Segundo ele, continuará participando de operações, investigações e flagrantes, mesmo depois de alcançar a classe especial.

UMA CARREIRA CONSTRUÍDA NO INTERIOR
Nascido em Piumhi (MG), em 12 de julho de 1975, Wanderley é filho do policial militar Wanderley Fernandes Martins e da comerciante Ilka Aparecida Vaz Martins. Ainda criança, mudou-se para Passos (MG), onde viveu até os 19 anos.
Formou-se em Direito em 1999, pela Faculdade de Direito do Sul de Minas, em Pouso Alegre, e posteriormente concluiu pós-graduação em Direito pela PUC Minas. Antes da Polícia Civil, exerceu a advocacia.
Aprovado no concurso DP01/2003, tomou posse em 3 de agosto de 2004, como delegado de 5ª classe. A partir daí, percorreu todas as etapas da carreira até alcançar a classe especial.
Sua primeira experiência foi em Caraguatatuba, onde trabalhou entre 2005 e 2009 como assistente do delegado titular e responsável pelo Setor de Investigações Gerais.
Em 2009, chegou a Mococa, onde permaneceu como delegado titular até 2017. Naquele ano, afastou-se temporariamente da carreira policial para disputar a Prefeitura de Mococa pelo MDB. Foi eleito com 52% dos votos válidos.
Em 2019, retornou à Polícia Civil e passou a atuar em Casa Branca, onde exerceu funções de direção e esteve à frente de unidades especializadas como a DIG — Delegacia de Investigações Gerais — e a DISE — Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes.
Foi a partir dessas unidades que sua atuação passou a alcançar ainda mais diretamente municípios como São José do Rio Pardo e outras cidades da região.

INVESTIGAÇÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA
O currículo de Wanderley é marcado por operações de grande repercussão.
Em Mococa, estão entre os principais trabalhos as operações Leviatã, Epílogo e Arcanjo, voltadas ao combate ao tráfico de drogas e organizações criminosas.
A Operação Epílogo resultou na prisão de integrantes de uma quadrilha e de seu fornecedor de drogas, além da apreensão de aproximadamente 200 quilos de maconha.
Em Casa Branca, a Operação Sétimo Mandamento esclareceu 37 roubos de caminhonetes na região e levou à prisão de dois dos principais envolvidos.
Também fazem parte de sua trajetória as operações 181, Lavoisier e Kamikaze, esta última relacionada ao tráfico de drogas por via aérea e que resultou em apreensões de aviões e de grande quantidade de entorpecentes em São José do Rio Pardo.
Mais recentemente, em julho de 2026, Wanderley esteve à frente da Operação Argos, realizada em São José do Rio Pardo. A ação, coordenada pela DIG e pela DISE de Casa Branca, mobilizou mais de 100 policiais civis e contou com o apoio do helicóptero Pelicano.
Foram cumpridos 15 mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão. A investigação utilizou drones, câmeras ocultas e policiais disfarçados para documentar a atuação dos suspeitos.
O histórico revela um profissional cuja carreira não foi construída apenas dentro dos gabinetes, mas principalmente no trabalho de investigação e no comando de equipes em operações de campo.

RECONHECIMENTO QUE VEIO DAS CIDADES
O reconhecimento ao trabalho também ultrapassou os limites da própria Polícia Civil.
Wanderley recebeu duas moções da Assembleia Legislativa de São Paulo, cinco da Câmara Municipal de Mococa e homenagens das Câmaras de Casa Branca, São José do Rio Pardo e Tapiratiba.
Recebeu o título de Cidadão Mocoquense, em 2015, e o de Cidadão Casa-branquense, em 2023, ambos concedidos em reconhecimento aos serviços prestados às respectivas comunidades.
Também foi escolhido como Policial Padrão pelas Câmaras Municipais de Casa Branca, em 2020, e Tambaú, em 2023.
Entre os elogios funcionais registrados em sua carreira estão o esclarecimento do chamado Caso Bó, em Mococa, e os resultados alcançados nas operações Epílogo, Arcanjo e Sétimo Mandamento.
Há ainda um registro que, em uma trajetória policial tão extensa, merece ser destacado: não possui punições funcionais.

O TOPO NÃO É O FIM DA CAMINHADA
A classe especial encerra o percurso de progressão funcional de Wanderley, mas não parece encerrar seu modo de trabalhar.
A reportagem publicada pelo Fala São José Notícias registra que o delegado foi reconhecido por sua participação em importantes investigações na região e reproduz a avaliação do delegado seccional de Casa Branca, Benedito Antônio de Noronha Júnior, que acompanhou parte de sua atuação regional.
A promoção, por si só, já seria uma conquista expressiva. Mas talvez o aspecto mais significativo esteja na maneira como o próprio Wanderley recebeu a notícia.
Ao chegar ao mais alto nível da carreira, não anunciou uma mudança de rumo. Anunciou a continuidade.
Continuará investigando. Continuará participando de flagrantes. Continuará ao lado da equipe. Continuará nas ruas.
Depois de 22 anos, o delegado que começou como policial de 5ª classe percorreu todas as etapas até chegar à classe especial. Uma caminhada que passou por diferentes cidades, diferentes funções e algumas das mais importantes investigações policiais da região.
Agora, no topo da carreira, permanece a mesma disposição de estar na linha de frente.
É uma conquista pessoal, naturalmente. Mas também é uma conquista profissional de alguém cuja história se confunde, em boa medida, com a história recente da investigação policial no interior paulista.
Wanderley chegou ao topo.
E, pelo que afirma, pretende continuar exatamente onde sempre esteve: trabalhando.




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