Delegado aponta autor de furtos de fios, mas prisão segue pendente

Na Câmara, Polícia Civil informou que suspeito é ligado a mais de dez furtos de fios e cabos em São José do Rio Pardo. Pedido de prisão foi feito, mas ainda não houve deferimento judicial.

jornal Democrata, edição 1919 de 18 de abril de 2026
Delegado aponta autor de furtos de fios, mas prisão segue pendente Delegado Guilherme Gomes de Souza Filho / Câmara Municipal
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A sequência de furtos de fios de cobre e cabos elétricos que tem causado prejuízos ao poder público e deixado pontos de São José do Rio Pardo às escuras foi tema de debate na sessão da Câmara Municipal do dia 14 de abril, com a presença do delegado titular da Polícia Civil, Guilherme Gomes de Souza Filho.

Durante a tribuna, o delegado confirmou que há um investigado identificado, apontado em mais de dez furtos dessa natureza no município, incluindo crimes contra bens públicos e particulares. Segundo ele, foi solicitada a prisão preventiva do suspeito, mas o pedido não foi deferido neste momento, sob entendimento judicial de necessidade de aprofundamento das investigações.

Três registros neste ano; dois já com autoria identificada

De acordo com o delegado, apenas em 2026 foram registrados três casos de furtos em instalações municipais, sendo que dois já resultaram em inquéritos instaurados com autoria identificada. O terceiro caso segue em apuração.




Guilherme Gomes de Souza Filho explicou que a Polícia Civil reuniu relatórios de investigação, imagens e análise de modus operandi — o padrão de atuação do criminoso — para vincular o investigado a uma série de ocorrências.

Segundo ele, em um dos episódios o suspeito chegou a ser preso em flagrante anteriormente, mas foi liberado posteriormente em audiência de custódia.

“Se sabe quem é, por que não prende?”

Essa foi uma das principais cobranças levadas pelos vereadores e, segundo o delegado, a resposta está nos requisitos legais para decretação de prisão preventiva.

Ele explicou que a identificação do suspeito não significa prisão automática, já que medidas cautelares dependem de decisão judicial fundamentada. No caso em questão, o pedido foi apresentado, mas o Judiciário entendeu que seriam necessários mais elementos.




O delegado afirmou que as investigações continuam para robustecer o caso.

Lei endureceu punição para furtos de fios

Outro ponto destacado foi que houve mudança recente na legislação penal, com aumento de rigor para furtos de fios e cabos que afetem serviços públicos ou de utilidade pública.

Segundo o delegado, a alteração corrige uma fragilidade anterior, quando esse tipo de crime, por não envolver violência ou grave ameaça, frequentemente recebia tratamento penal brando.

Receptadores passam a ser próximo alvo

Um dos principais anúncios feitos na sessão foi que a investigação deve avançar agora sobre quem compra o cobre furtado.

Segundo o delegado a polícia busca identificar receptadores e compradores do material;

há indícios de pessoas de fora vindo buscar o cobre na cidade;

investigações preliminares apontam possível atuação de receptadores locais;

fiscalização em ferros-velhos e desmanches pode ser parte da estratégia.

A lógica, segundo ele, é enfraquecer economicamente o crime:

“Só existe furtador porque existe quem compre.”

Monitoramento da GCM foi decisivo

O sistema de monitoramento do município foi fundamental na identificação do autor em nove dos dez furtos atribuídos ao investigado.

Segundo o gestor Frederico Blascke, as imagens captadas pela Guarda Civil Municipal subsidiaram o trabalho investigativo da Polícia Civil.




Blascke também afirmou que o município já possui mapeamento informal de autores recorrentes por regiões da cidade, distinguindo, por exemplo:

  • furtos de fios em determinados bairros;
  • furtos em residências em outras áreas;
  • crimes rurais atribuídos, em alguns casos, a grupos de fora do município.

Vereador elogia atuação das forças de segurança

Vereador Rubinho Pinheiro elogiou a atuação das forças de segurança no município, bem como a integração entre elas. Destacou o trabalho das Polícias Civil e Militar e da GCM. À reportagem do DEMOCRATA Rubinho disse que “As autoridades policiais, a segurança pública local, como um todo, tem sido eficientes e atuado com dedicação”.

Zona rural preocupa

O delegado também apontou preocupação com furtos de transformadores e crimes na zona rural.

Segundo Guilherme Gomes de Souza Filho, esse tipo de investigação é mais difícil porque frequentemente há:

  • ausência de câmeras;
  • falta de testemunhas;
  • poucos vestígios periciais;
  • atuação interestadual ou regional de quadrilhas.

Por isso, reforçou a importância da prevenção e do trabalho integrado entre Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Civil Municipal.

Hidrômetros e “gatos” também entraram na discussão

A sessão também abordou furto de hidrômetros

Segundo o delegado, a modalidade também tem sido investigada e já há casos com autoria identificada e Ligações clandestinas de água e energia




O delegado explicou que esses casos podem configurar furto qualificado, quando há ligação clandestina direta na rede;

Estelionato, em casos de fraude em medidor.

Ele afirmou que ações conjuntas com concessionárias, Polícia Científica, PM, GCM e Polícia Civil são possíveis, inclusive por meio de mutirões de fiscalização.

Muralha Paulista foi destacada

A adesão de São José do Rio Pardo ao programa Muralha Paulista também foi mencionada como reforço estratégico.

Segundo o delegado, a ferramenta amplia:

  • leitura de placas;
  • integração de bases policiais;
  • compartilhamento de dados;
  • apoio a investigações.

Blascke citou que o sistema já contribuiu para capturas recentes.

“Queremos prendê-lo”, diz delegado

Ao final, Guilherme Gomes de Souza Filho reiterou que a Polícia Civil seguirá buscando a responsabilização do suspeito.

“O que nós queremos é prendê-lo. A polícia está aqui para isso.”

A fala do delegado, no entanto, deixou explícito um ponto central do debate: o problema não é apenas identificar autores — o desafio está em reunir elementos jurídicos e investigativos suficientes para transformar reincidência conhecida em prisão e condenação.


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