Sem parada

Jornal Democrata, edição 1917 de 4 de abril de 2026
Sem parada Zildão e o Jacaré na padaria / Imagem gerada por I.A.
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Na cidade pequena, onde o tempo costuma andar devagar, tinha um homem que vivia correndo.

Empresário de sucesso.

Dono de emrpesa, de aluguéis, de um carrão — e de uma pressa que ninguém acompanhava.

— “Parar é perder dinheiro”, dizia.

Na mesa da padaria, entre café e conversa, comentaram:

— “O médico mandou ele descansar…”

Zildão, quieto no canto, falou:

— “Tem gente que corre tanto… que esquece onde queria chegar.”

Nisso, o próprio entrou apressado, celular na mão.

— “Bom dia, vagabundagem!”

Olhou pra Zildão:

— “E você? Já trabalhou hoje ou ainda tá descansando?”

Risos contidos.

Zildão respondeu, calmo:

— “Tô trabalhando… tô vivendo.”

O homem riu com desdém:

— “Viver não paga conta. Quem descansa fica pra trás.”

Zildão tomou um gole de café:

— “E quem nunca descansa… chega onde?”

O empresário nem ouviu direito. Já saiu falando alto, como sempre.

Dias depois, o carrão ficou parado mais tempo que o normal.

E ele também.

Pressão alta. Estresse. Corpo cobrando o que a pressa ignorou.

Quando voltou, já era outro homem. Mais quieto. Sentado na frente da padaria, olhando o movimento.

Zildão passou.

— “Tá tudo bem?”

O empresário suspirou:

— “O médico falou que, se eu não parar… meu corpo para por mim.”

Silêncio.

Zildão assentiu:

— “Até máquina quebra… imagina quem tem coração.”

O homem pensou, olhando o chão:

— “Achei que descansar era perder tempo…”

Zildão já saía quando disse:

— “Pior é perder a vida achando que tava ganhando tempo.”

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