Sem parada
Zildão e o Jacaré na padaria / Imagem gerada por I.A. Na cidade pequena, onde o tempo costuma andar devagar, tinha um homem que vivia correndo.
Empresário de sucesso.
Dono de emrpesa, de aluguéis, de um carrão — e de uma pressa que ninguém acompanhava.
— “Parar é perder dinheiro”, dizia.
Na mesa da padaria, entre café e conversa, comentaram:
— “O médico mandou ele descansar…”
Zildão, quieto no canto, falou:
— “Tem gente que corre tanto… que esquece onde queria chegar.”
Nisso, o próprio entrou apressado, celular na mão.
— “Bom dia, vagabundagem!”
Olhou pra Zildão:
— “E você? Já trabalhou hoje ou ainda tá descansando?”
Risos contidos.
Zildão respondeu, calmo:
— “Tô trabalhando… tô vivendo.”
O homem riu com desdém:
— “Viver não paga conta. Quem descansa fica pra trás.”
Zildão tomou um gole de café:
— “E quem nunca descansa… chega onde?”
O empresário nem ouviu direito. Já saiu falando alto, como sempre.
Dias depois, o carrão ficou parado mais tempo que o normal.
E ele também.
Pressão alta. Estresse. Corpo cobrando o que a pressa ignorou.
Quando voltou, já era outro homem. Mais quieto. Sentado na frente da padaria, olhando o movimento.
Zildão passou.
— “Tá tudo bem?”
O empresário suspirou:
— “O médico falou que, se eu não parar… meu corpo para por mim.”
Silêncio.
Zildão assentiu:
— “Até máquina quebra… imagina quem tem coração.”
O homem pensou, olhando o chão:
— “Achei que descansar era perder tempo…”
Zildão já saía quando disse:
— “Pior é perder a vida achando que tava ganhando tempo.”







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