Prefeito admite custo de até R$ 650 mil para Expoam, apesar de divulgação de evento “sem gastos”
Recursos são públicos, oriundos de emendas parlamentares; declaração foi feita em entrevista a podcast
Barison afirma que Expoam custará R$ 650 mil em dinheiro público para infraestrutura O prefeito de Mococa, Eduardo Barison, afirmou que a realização da Expoam 2026 terá custo estimado de até R$ 650 mil, valor que será financiado com recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
A declaração foi feita durante entrevista ao podcast “Sem Noção”, apresentado pelo comunicador Rodrigo Bussolo.
Segundo o próprio prefeito, o custo total do evento gira entre R$ 500 mil e R$ 700 mil, com definição aproximada em R$ 650 mil.
“Vai me custar em torno aí, vamos pegar, entre 500 a 600, até 700 mil, tá?”, afirmou durante a entrevista.
Barison detalhou que parte dos recursos virá do deputado estadual Barros Munhoz, que teria destinado cerca de R$ 450 mil para infraestrutura. “Ele me arrumou 450 mil”, declarou. Já o restante, aproximadamente R$ 200 mil, foi articulado junto ao deputado federal Jonas Donizete. “O Jonas deu mais 200. Falei, opa, fechou”, completou.
A fala do prefeito contrasta com a divulgação do evento, que vinha apresentando a Expoam como um evento sem custos para a cidade.
Tratam-se de recursos públicos enviados por emenda parlamentar oriundo do governo do Estado que entra no caixa da prefeitura. E, segundo o prefeito, carimbada para infraestrutura.
o que levanta questionamentos sobre a forma como a informação foi comunicada à população.
Durante a entrevista, Barison também mencionou a existência de uma Ata de Registro de Preços voltada à realização de eventos, com valor estimado entre R$ 2,5 milhões e até R$ 4 milhões, segundo sua própria fala. “Essa ata eu coloquei acho que 2 ou 4, 2 milhões e meio ou 4 milhões”, disse, ao explicar que o instrumento permitiria agilizar contratações futuras, como para a Semana do Café.
Ainda segundo o prefeito, os recursos destinados à Expoam não representariam impacto direto no orçamento municipal:
“Então, esses 650 mil, eu consegui através do Barros Munhoz, de forma que não vai onerar a Prefeitura em nada”, afirmou.
Ele admitiu apenas pequenos custos indiretos sendo assumidos pela administração, especialmente na manutenção do Parque de Exposições.
“O que está custando para mim é a questão da manutenção dos educandos lá que estão arrumando isso, limpeza daquilo, corta a grama, uma árvore caiu, retira”, disse, referindo-se ao trabalho realizado por reeducandos do Centro de Ressocialização de Mococa.
O prefeito não detalhou, contudo, como os R$ 650 mil serão aplicados especificamente na estrutura do evento, nem apresentou divisão de despesas ou cronograma de execução dos recursos.
A cidade vem reclamando de problemas de infraestrutura e falta de zeladoria, como buracos nas ruas e mato alto. Esse investimento em 4 dias de festas tem gerado duras críticas.

A utilização de emendas parlamentares para financiamento de eventos públicos é prática comum, mas exige transparência quanto à aplicação dos valores, uma vez que se trata de verba pública.
Nesse contexto, a diferença entre a comunicação oficial — que indicava custo zero — e a declaração do prefeito evidencia a necessidade de maior clareza na prestação de informações à população.







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