Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Décimo quinto domingo do Tempo Comum

Jesus nos envia para semear a Palavra de Salvação!


Décimo quinto domingo do Tempo Comum jornal Democrata, edição 1931 de 12 de julho de 2026

Temos a graça de celebrarmos o décimo quinto domingo do Tempo Comum. Neste domingo, temos como centralidade o Senhor que nos apresenta em seu Evangelho a parábola do semeador.

A primeira leitura deste domingo – Is 55,10-11 – a palavra que sai da boca, ou seja, a Palavra de Deus é comparada a: chuva e a neve que descem do céu. Assim como esta chuva faz germinar a semente e assim dar frutos. Assim também é a Palavra de Deus.

A segunda Leitura – Rm 8,18-23 – “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”. Aqui pensamos nas dificuldades que passamos em nossa vida. Estas dificuldades se tornam pequena diante da tamanha graça que o Senhor nos propiciou que é a Salvação. A criação geme em dores de parto. Aqui podemos caracterizar todos os problemas que a humanidade enfrenta e parafraseando São Francisco de Assis, o que a mãe terra sofre. Vemos este sofrimento em vários âmbitos: violência, degradação do meio ambiente e a ganância do ser humano.

O Evangelho deste domingo – Mt 13, 1-23: este capítulo 13 é o centro do Evangelho segundo Mateus! Para que possamos compreender bem o que Nosso Senhor nos quer dizer, recordemo-nos que o Reino dos Céus é o núcleo, o tema, o objetivo da pregação de Jesus: Ele veio para instaurar o Reino entre nós e nos fazer participar dele em plenitude após nosso caminho neste mundo. Quando Mateus diz “Reino dos Céus” é o mesmo que dizer “Reino de Deus”, pois o céu é Deus e fora de Deus não pode haver céu! O anúncio do Reino dos Céus é, portanto, o anúncio do reinado do Deus de Jesus, aquele mesmo Deus a quem ele chamava de Pai, Pai que é todo amor, todo ternura, todo compaixão e misericórdia! Por isso, o reinado de Deus é nossa vida e nossa felicidade.

Temos aqui presente, a Parábola do Semeador. A semente é a Palavra de Deus, que é sempre fecunda “como a chuva e a neve que descem do céu e para lá não voltam, mas vêm irrigar e fecundar a terra”. A Palavra que Jesus, o Semeador, joga no terreno do nosso coração, nunca ficará sem efeito; é uma Palavra eficaz! O Padre Antônio Vieira, comentando esse Evangelho afirmava que a Palavra pode não dá fruto, mas dará sempre efeito: efeito de salvação ou efeito de condenação! É verdade: ninguém ficará neutro diante da Palavra do Senhor que escutou: ou a acolhe, dá fruto nela e acolhe a salvação, ou a rejeita, para ela se fecha e por causa dela se perde.

Jesus é o semeador que lança em terra a semente, isto é, a palavra de Deus. Ele a semeia por todas as partes, em todos os campos, porque a salvação é para todos. Todos devem ter acesso à felicidade eterna. No entanto, os terrenos são diversos. Alguns estão muito expostos, estão à beira do caminho; outros não têm profundidade, trata-se duma terra pedregosa na qual as raízes não podem estender-se. Mas nem tudo está perdido, também há terra boa. Isso não significa que as sementes que caíram à beira do caminho ou em solo pedregoso não possam produzir frutos. O terreno seria relativamente indiferente quando preparado para a plantação. O importante é trabalhar bem o terreno, mais ainda quando hoje em dia há técnicas agrônomas eficazmente comprovadas. Aí está a missão do cristão: preparar o terreno, ser terra boa e fazer de tudo para que os outros terrenos recebam a Palavra de Deus com generosidade.

A comunidade evangelizadora mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. O semeador, quando vê surgir o joio no meio do trigo, não tem reações lastimosas ou alarmistas. Encontra o modo para fazer com que a Palavra se encarne numa situação concreta e dê frutos de vida nova, apesar de serem aparentemente imperfeitos ou defeituosos. O discípulo sabe oferecer a vida inteira e jogá-la até ao martírio como testemunho de Jesus Cristo, mas o seu sonho não é estar cheio de inimigos, mas antes que a Palavra seja acolhida e manifeste a sua força libertadora e renovadora. Por fim, a comunidade evangelizadora jubilosa sabe sempre “festejar”: celebra e festeja cada pequena vitória, cada passo em frente na evangelização. No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar.

Queremos que a semente caia em nosso coração e assim possa sempre dar frutos. Celebremos que somos sempre semeadores e missionários de Cristo e de sua Igreja. Constantemente sua Palavra tem que ser lançada. Lançada para assim germinar e dar frutos!


Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ




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